reprodução automática próximo vídeo em 5s

Saul e Samuel Klein são 'gerações de predadores sexuais', diz advogada

Saul Klein, o empresário investigado por comandar uma rede de exploração sexual de mulheres, não é o primeiro da família a ser denunciado por crimes sexuais. Seu pai, Samuel Klein, fundador das Casas Bahia que esteve à frente da empresa por quase 60 anos e morreu em 2014, também teve o nome envolvido em relatos que vieram à tona em 2021.

Durante mais de duas décadas, entre 1989 e 2010, Samuel teria cometido crimes como aliciamento, exploração sexual e estupro de diversas meninas entre nove e 17 anos, como mostra o documentário Saul Klein e o Império do Abuso, produzido por MOV e Universa, do UOL.

Ele [Saul] falava muito do pai. Uma vez, colocou um documentário sobre ele [Samuel] para a gente ver. Mas na época não sabia o que sei hoje, conta uma das vítimas do filho no terceiro episódio da série.

Karina Carvalhal, uma das mulheres que relatam ter sido abusadas por Samuel, conta que foi apresentada a ele por sua irmã mais velha, acreditando que daria apenas um selinho nele em troca de ajuda, como doação de cestas básicas.

No começo, ele só passava a mão, dava um selinho, conversava um pouco com a gente, dava um dinheiro e a gente ia embora, conta. Depois de alguns encontros, no entanto, ele passou a convidá-la para ir a um hotel, onde ela sofreu abusos e estupros de Samuel, episódio que se repetiu diversas vezes entre os 12 e os 18 anos.

É o que o pai fazia, então aprendeu assim. Esse aprendizado faz com que a gente consiga perceber uma família com gerações de predadores sexuais, afirma a advogada das vítimas de Saul, Gabriela Souza.

Só queria que ele pagasse, diz Karina, sobre o empresário que morreu há oito anos. Eu tive uma filha menina e, quando você passa a entender o que aconteceu, não quer que aconteça com outras meninas.

As mulheres que denunciam Saul, por sua vez, esperam que o milionário, que ainda está vivo, pague por seus crimes. Quero justiça pela menina que eu fui, pela que eu poderia ter sido, diz uma delas. Quero acreditar que a gente vai conseguir. Isso precisa ter um fim. Mesmo com medo, estou aqui, afirma outra.

O advogado de Saul, André Boiani e Azevedo, diz ao documentário que ele não comandava uma rede de prostituição e abuso, mas, na verdade, contratava uma agência que fazia a aproximação entre ele e as jovens. Por isso, é inocente em relação às acusações. O que ele contratava eram moças que iam aos eventos dele, afirma Boiani.

A série documental Saul Klein e o Império do Abuso, com três episódios, já está disponível no YouTube de MOV.doc.